domingo, 1 de dezembro de 2013

A ESCOLA ESTÁ FORMANDO PROFISSIONAIS STRESSADOS, MEDÍOCRES E INFELIZES

Uma das minhas meninas, com 15 anos, começou o ensino médio este ano na área técnica que gosta: jogos digitais. Quem a viu no início do ano correndo atrás de matérias que nunca tinha visto como programação e matemática para jogos, não reconhece a menina que hoje senta no computador e dá origem a jogos fantásticos com gráficos animais escritos em C++. Ela é formidável. Seu talento é realmente impressionante não só nesta área como também na área de desenho a mão livre que dá de mil a zero em qualquer desenho que eu tenha feito durante a minha vida (olha que eu já me achei desenhista). Porém, apesar disso tudo, o sistema escolar vem esmagando o seu talento e a sua autoestima. Triste.
Evidentemente na escola onde ela estuda, uma instituição pública e federal daqui de Curitiba, existem outras disciplinas como matemática, geografia, história, química, entre outras, assim como a sua grade de horários é montada como sempre foram montadas todas as grades de horários de escola de pessoas como eu você.  O aluno começa o dia tendo aula de matemática, depois aula de programação, geografia, química e português. Nos outros dias mudam as matérias de horário e lugar, mas basicamente é essa a “rotina” de um aluno convencional. Em um só dia ele é forçado a mudar o seu foco de uma coisa para a outra pulando de um tema para o outro como quem brinca de amarelinha no recreio.
Além dessa rotina frenética que faz qualquer cérebro chacoalhar, cada professor de cada disciplina, passa exercícios para casa e trabalhos que precisam ser entregues em alguns dias. Acontece que enquanto o aluno tem que entregar o trabalho de química na semana que vem e também tem que entregar o de programação, matemática para jogos e de educação física, ele acaba entregando um trabalho mediano porque não teve tempo para se aprofundar na tarefa. Pra passar de ano bem, tem que correr muito atrás mesmo…
Me impressiona o fato da minha menina ainda conseguir tirar boas notas, pois quando eu estava na escola, nesta época do ano, eu estava fazendo contas para saber de quanto precisava para não ir para a recuperação. Olhando a situação que ela passa hoje e o que passei, vejo que boa parte das minhas falhas estavam justamente na falta de foco com forçavam encarar cada disciplina. Sinceramente, eu preciso de tempo para “mastigar” um conhecimento e acredito que as outras pessoas também precisem de tempo para refletir sobre um assunto. Este modelo de aprendizado, com certeza não é uma boa solução.
Estamos sempre correndo atrás

Sabe aquela sensação agonizante de estarmos sempre correndo atrás de alguma coisa? É o ônibus que já vai sair, a prova que está chegando, o trabalho que precisa ser entregue, o salário que não chega no final do mês, a prestação do carro que temos que pagar, etc.?Os jovens estão sendo domesticados a estarem sempre correndo atrás sem saber para onde estão indo. Pior. Se isso não fosse o bastante, estão sendo treinados a entregarem soluções medíocres por causa de prazo e falta de foco.
Já perdi a conta de quantos trabalhos entregues que receberam nota ruim porque estavam incompletos e de tantos outros trabalhos que foram terminados mesmo sem necessidade onde ela só fez por diversão. A ESCOLA NÃO DÁ TEMPO PRA GENTE APRENDER NADA! Esse é o ponto.
Na faculdade a agonia continua. Cada um corre por si atrás das obrigações do seu emprego/empresa somadas com as obrigações infundadas da faculdade onde não existe mais debate, só testes, provas, trabalhos, apresentações, monografias e teses. No final te dão um diploma que não serve para NADA. N-A-D-A. Você poderá arranjar um emprego com esse diploma, mas estará sempre correndo atrás. Nunca terá a sensação de segurança que todos nós queremos ter e que pensamos que o dinheiro traz. Mais engraçado, é que as pessoas mai bem sucedidas são aquelas que trabalham fazendo o que amam e focam em uma coisa de cada vez.
Para as crianças que frequentam escolas neste formato que descrevi, não há muita coisa a ser feita além de conversar para deixar claro que essa agitação maluca e desenfreada do mundo é uma ilusão imposta pelo sistema para formá-las consumidoras e não criadoras. Explicar ainda que deveriam procurar trabalhar como artistas e não como máquinas, preocupando-se em se apaixonar por uma ideia, investir tempo pensando nela e trabalhar para criar uma forma de expressá-la da melhor forma no mundo gerando renda para si. 
Artistas, músicos e bandas de rock sempre foram vistos como anti-sistema justamente porque se expressam da maneira como sabem se expressar e ainda geram receita com essa auto-expressão. Por que não podemos nos expressar da maneira que somos?
Novos modelos de escola

Acompanho de perto o trabalho da minha cunhada e minha esposa à frente do seu projeto de escola e fiquei encantado ao conhecer a escola do empresário Ricardo Semler. Fico triste ao pensar que jovens que não tenham uma boa base emocional fornecida pelos pais dentro de casa, possam passar pela fase da infância e adolescência sendo pressionados a fazerem mais do que podem. Provavelmente este é um dos fatores que colaboram para a baixa autoestima e consequente descuidado com o corpo utilizando-se de grifes, álcool e drogas para tentar parecer melhor.
Uma massa de trabalhadores é colocada no mercado de trabalho entregando resultados medianos ou um pouco acima da média. Com diversas opções de entretenimento e informação vamos passando pela vida deixando para trás grandes oportunidades. Por ineficiência do sistema temos como resultado uma sociedade com pessoas tão fora de si que infelizes trocam suas vidas para viver a vida de outras pessoas, ocupando cargos e posições onde não possuem menor habilidade.
Este post foi um desabafo de alguém que vê uma criança correr triste ao invés de ficar parada e ser feliz. Que nossas crianças tenham mais tempo para se descobrirem. Isso faz falta pra mim.

Fonte: jornaldoempreendedor.com.br