quinta-feira, 18 de setembro de 2014

FALTA DE ESTRADA POLÍTICA SE EVIDENCIA E PAULO SOFRE EM DEBATE – PARA CONTRA ATACAR REFERÊNCIAS CONSTANTES A EDUARDO



Rapha Oliveira/Esp DP/D.A Press
Se eu soubesse que era tão fácil ser governador de Pernambuco, teria falado com Eduardo Campos quando este esteve em Saloá em 2010. Teria puxado o então governador num recanto de parede e teria dito, “Eduardo, me coloca pra ser governador de Pernambuco. Tô sabendo que você tá procurando qualquer um para o cargo, não precisa ter experiência, nem capacidade de liderança, nem estrada política nem nada é só você querer”.
No dia em que comemorava crescimento na pesquisa Ibope, Paulo Câmara (PSB) enfrentou teste duro no debate da TV Jornal. Foi o alvo preferencial dos dois concorrentes que dividiam a ribalta com ele: Armando Monteiro (PTB) e Zé Gomes (PSol). Sem traquejo para embates do gênero (foi o primeiro confronto na TV), o socialista demonstrou fragilidade nos argumentos quanto questionado sobre temas já colocados na pauta.

Entre eles está a falta do lastro político (apontado por Armando), de experiência, de capacidade de liderança, de trânsito nacional, enfim, carências diretamente ligadas ao fato de ele, um técnico, ter sido escolhido candidato por decisão pessoal do ex-governador Eduardo Campos. Optou por repetir frases que soavam como texto decorado. As expressões “continuar avançando”, “temos um time”, “vamos liderar esse processo”, “vamos fazer acontecer” foram usadas em diversos momentos, reforçando a falta de estrada apontada pelo concorrente.

O tema da concessão de incentivos à Bandeirante Pneus foi, mais vez, colocado pelo petebista na discussão. Paulo Câmara, como tem feito, retrucou afirmando, que tudo se deu se forma legal. Armando voltou, então, a perguntar se o oponente sabia da condição do avião quando pegou carona nele e qual a opinião dele sobre a nebulosidade que paira sobre a legalidade e propriedade do jato. Paulo não respondeu. Jogou tudo na conta da Justiça Eleitoral que, segundo ele, já decidiu que não há irregularidades.

A Bandeirante é apontada como possível compradora do avião que era utilizado por Eduardo na campanha e que acabou caindo provocando a morte do ex-governador e mais seis pessoas. A empresa, que já recebia benefícios fiscais antes do governo de Eduardo, teve as vantagens ampliadas na gestão socialista.

O discurso generalista adotado por Paulo acabou lhe trazendo dificuldade. Quando perguntado sobre algo especifico – a falta de consultório para o curso de odontologia da UPE em Arcoverde – foi obrigado a admitir que existiam erros que precisam ser corrigidos.

Além disso, Paulo pareceu ter sido “capacitado” para o debate dentro dos mesmos moldes usados pelo PSB com o prefeito do Recife, Geraldo Julio, em 2012. Manteve um ar de riso e um olhar fixo em grande parte do debate. Obviamente que a tensão é natural num evento como aquele, mas o excesso de cuidados com a performance acabou por tirar a espontaneidade do candidato.

Paulo Câmara está bem, muito bem nas pesquisas, mas sofreu no debate. A missão é, de fato, difícil para um calouro nas ruas e nas urnas como ele. Como Geraldo, ele é uma aposta alta assumida Eduardo – aposta, aliás, exitosa, uma vez que o PSB ganhou a eleição. Agora, Paulo é aposta da vez e, por enquanto, os planos traçados pelo ex-governador vão caminhando bem.

Aliás, como tem ocorrido nessa campanha, o líder socialista, ou a lembrança dele, teve grande “presença” no debate. O candidato do PSB repetiu por diversas ter sido “escolhido por Eduardo”, o que reforça que o PSB, segue cultivando, sem amarras, a dependência da campanha à imagem do ex-governador.

Armando assumiu papel professoral e mostrou a segurança que só os anos na lida política trazem. Sempre que podia ressaltava ser bem mais preparado para governar Pernambuco. Chegou, inclusive, a afirmar que achava Paulo bem intencionado, mas, pela falta do tal “lastro político”, incapacitado para a missão.

Zé Gomes ajudou Armando a elencar falhas na gestão que Paulo representa, mas também não deixou de apontar que o petebista e o socialista eram aliados até o ano passado e que, por isso, representam um mesmo projeto político. Um projeto que, segundo ele, privilegia patrões e as elites e massacra o trabalhador.

Wellington Freitas