domingo, 28 de dezembro de 2014

MOBILIDADE URBANA DE GARANHUNS - POR IVAN RODRIGUES

                 
Pra começo de conversa, arranha-céu nunca foi indicador de desenvolvimento e é sempre fruto dele. Nas grandes e belas cidades do mundo como Paris, Roma, Londres são as cidades mais disputadas do mundo pelo Turismo, o gabarito dos prédios é limitado e resolvem o problema da mobilidade com um transporte coletivo de qualidade como metrôs.

                Aqui ficamos embevecidos (falo do Brasil) quando trocamos o trem pelo caminhão, o metrô pelo ônibus e os ônibus pelos veículos individuais e pasmem (!) pelas motos que são hoje as maiores responsáveis no país inteiro pelos acidentes fatais e pela superlotação dos hospitais de urgência. Tornou-se um problema de saúde publica!

                    Garanhuns nunca cuidou de um planejamento para sua mobilidade urbana. Em 2008, juntamente com o Clube dos Diretores Lojistas (CDL), o PSB de Garanhuns conseguiu trazer para cá uma equipe composta por técnicos da Secretarias Estaduais das Cidades e do Planejamento que, conforme determinação do Sr. Governador e comandada pela Dra. Ana Suassuna – Secretaria Executiva das Cidades, tinha a tarefa de avaliar um projeto de requalificação da Rua D. José que lhe havia sido encaminhado pelo CDL em audiência no Hotel Tavares Correia.

                    Essa equipe, composta de técnicos de alto nível com visão estratégica, concluíu que qualquer solução para a mobilidade urbana de Garanhuns exigiria, necessariamente, o planejamento e implantação de um Plano Diretor de Mobilidade Urbana de Garanhuns encarado em seu aspecto global, a partir da consideração consensual de que as intervenções pontuais não mais seriam capazes de reverter a circulação caótica do trânsito da cidade.

                   O Grupo de Trabalho, juntamente com a representação do CDL, foi ao gabinete do Sr. Prefeito de então, expondo o seu entendimento e dizendo da necessidade da articulação com o Governo Municipal, uma vez que a matéria era, como ainda o é, de competência municipal. Na ocasião, a despeito da verbalização do consenso, não aconteceu qualquer iniciativa do Poder Municipal que objetivasse a pretendida articulação. Perdemos seis anos!

                      Ninguém ignora que qualquer solução para uma boa mobilidade urbana em Garanhuns, como em qualquer cidade do mundo, tem que firmar certos conceitos inarredáveis e deles não se afastar. O primeiro deles é que deve-se emprestar PRIORIDADE ABSOLUTA AO TRANSPORTE COLETIVO, e por isso assusta a constatação de que permanecemos discutindo a fila dupla da Avenida Santo Antonio para atender aos veículos unitários.

                    Dentro desta ótica, é impressionante como ninguém se preocupa em assegurar ao povão ônibus confortáveis com ar condicionado, suficientes em número de veículos e freqüência de viagens, roteiros adequados, cumprimento rigoroso das viagens nos horários programados e – o que é mais importante - tarifas mais baratas. Ninguém lembra que a prioridade absoluta deve ser o PEDESTRE e eventuais espaços para as paradas rápidas dos transportes coletivos a quem se destinam as áreas públicas. Elementar que um bom, confortável, barato e eficiente transporte coletivo, atraindo uma maior parcela da população para o seu uso, daria um grande estímulo para uma gradativa retirada da rua dos transportes individuais, responsáveis pelo adensamento do tráfego.

                    Outro conceito pacífico é que O PODER PÚBLICO NÃO TEM QUALQUER OBRIGAÇÃO COM O ESTACIONAMENTO DOS TRANSPORTES INDIVIDUAIS. Trata-se de problema individual e não coletivo.

Dentro dessa estratégia torna-se importante proibir a licença para funcionamento em qualquer imóvel urbano, de determinadas atividades de uso coletivo,tais como: hotéis, igrejas, conjuntos comerciais e residenciais, cinemas, teatros, bancos, lojas-magazines, colégios etc. que exijam grande movimentação de pessoas e veículos, SEM A PREVENTIVA CRIAÇÃO DE ÁREAS DE ESTACIONAMENTO EM SUAS PRÓPRIAS DEPENDÊNCIAS e compatíveis com as suas necessidades.

                       Vejam a apatia e leniência emprestadas no trato de questão tão importante para a sobrevivência da nossa terra. A Secretaria de Transportes do Estado veio a Garanhuns para discutir em audiência pública o projeto de duplicação da BR-423 que, numa visão medieval não mais aceita por nenhuma cidade do mundo, ameaça destruir uma banda da cidade sem admitir que o prolongamento da duplicação da BR-423 exige a inserção no projeto, desde logo, de uma alça rodoviária que contorne Garanhuns, assegurando a articulação técnica e racional do seu entroncamento rodoviário. Essa visão retrógrada do projeto da BR-423 não foi contestada, naquela audiência, pelas lideranças políticas de Garanhuns legitimadas na última eleição de 2012.

                   É justo e todo o mundo quer vender automóveis, consertar e vender peças, abastecer combustível, cobrar estacionamento, enfim, a maioria quer desfrutar dos bônus sem colaborar com os ônus do processo e isso não é justo para a imensa maioria da população que depende do transporte coletivo para seu deslocamento.

                       Os empresários de Garanhuns e o Poder Público deveriam sim, estar preocupados com a logística de facilitação de estacionamento direcionado para os veículos de todo o Agreste Meridional que aportam, todos os dias, a Garanhuns para fazerem compras e não têm onde estacionar com segurança os seus veículos, nem sempre individuais.

                Façam uma pesquisa qualitativa sobre o problema e verificarão que a grande maioria da população está preocupada com o transporte coletivo e a movimentação de pedestres..