sexta-feira, 19 de junho de 2015

VIDA OU MORTE DA VIOLÊNCIA?


                        Ultimamente vivemos uma grande e generalizada ilusão sobre o tema “Redução da maioridade penal” no Brasil. Um país colorido, multicultural e com má distribuição de renda. Existem dezenas de fatos isolados que se transformam em aporte para se criar um clima de insegurança e o desejo de severa punição e esta, aplicada aos que aparecem mais fragilizados perante a sociedade que, por sua vez, exclui e rotula pessoas.

        Os problemas estruturais são imensos e se não servem justificar, pelo menos que possa servir para repensar. Por exemplo, o analfabetismo que não foi, e está muito longe de ser erradicado entre jovens de 15  a 24 anos. São esses mesmos jovens que se encontram fora do mercado de trabalho e não concluirão sequer, os estudos iniciais. Uma boa parcela deles vem de famílias de baixíssima renda, desempregadas, analfabetas e violentas.

                     Seria conveniente revertermos essa lógica tão ilógica de exclusão em um país que convive com a maioria de seus representantes, e uma bela fatia de empresários, acostumados a levar vantagem enquanto corrompem o futuro do país, principalmente nas camadas pobres. Essas crianças passam a ser vítimas de uma sociedade alienada aos imorais “valores” sociais, da política do descaso e da capacitação plena do tráfico que emprega e dá proteção, tomando o lugar do estado ausente. Imoral, aqui empregado ao olhar certos representantes do povo responsabilizar jovens pelas mazelas do país alegando que os mesmo “já votam”, o que é irônico porque nós adultos ainda não aprendemos a votar, e por isso amargamos um saldo negativo por elegermos governantes mal-educados, indisciplinados, sem competência, sem cultura, verdadeiros “analfabetos” no sentido de construir a caminhada da humanidade através de políticas públicas e trabalhos sociais. Muitos, chegando inclusive a criticar pessoas que sabem de sua responsabilidade social e exatamente por isso, fazem um trabalho transformador em lugares em que o estado de direito e de fato, deveriam atuar efetivamente.
                   Se pensarmos que o jovem é um sujeito de direitos, então porque lhes negar seu espaço dentro da sociedade? Quanto educadora acredito que não estamos educando para a construção de valores e sim, para disciplinas autoritárias que quer obediência, quer resultados mas, aonde temos os exemplos? Na política? Na medicina? Em casa? Na escola sem estrutura e competência para realizar um bom trabalho?

                     Acredito que nossos políticos caminharam, e caminham, na contra mão dos pareceres que resultaram de movimentos sociais, das organizações acadêmicas e órgãos que trabalham com crianças, jovens e adolescentes. Os discursos, quando não conservadores, são de ódio, de apologias e de rigidez, quando na verdade, a rigidez deveria ser aplicada em investimentos na qualidade de ensino, valorização dos professores e conservação das escolas.

                         Acho, inclusive, que estou vivendo dias de sonhos infantis. Dias em que o consumo se faz necessário e o “olhar do poder” só enxerga a invisibilidade...O ideal seria investir  na distribuição de renda, implementar políticas públicas que beneficiassem, de fato, a coletividade e garantia da plenitude humana, pois caso contrário, tenho certeza de que mais cedo do que esperamos, estaremos juntos discutindo a redução para 14 ou 12 anos pelos pedidos da pressão nas ruas que só apagará uma página que ficará manchada de sonhos desfeitos e maquiará a incompetência e a cegueira na falta de investimentos no futuro de bons cidadãos. Somente o conhecimento amplo das causas, e seus combate, nos dará um sentido coletivo e político da emancipação humana e os sonhos da transformação social. É necessário emponderação para fortalecer a criatividade dos jovens e construir nos mesmos a possibilidade de uma consciência crítica e ações transformadoras. Ai sim, teríamos a certeza de que a violência estaria sendo combatida com armas estruturais. Com armas de construção da cidadania, da educação e de um futuro promissor. Enquanto não houver essa mudança, estaremos vivendo a mercê da desconstrução dos padrões religiosos, morais e esperados.

Selma Mello.