sábado, 16 de abril de 2016

MILITÂNCIA DO PSB DIVULGA CARTA CONTRA O GOLPE

            

            Militantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB) enviaram hoje aos governadores, deputados e senadores da legenda a seguinte Carta, onde deixam claro o posicionando contra o impeachment golpista:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons!” (Martin Luther King)

            Em outubro de 2013, o Partido Socialista Brasileiro decidiu sair do governo Dilma por não acreditar no rumo que as coisas vinham tomando na condução do país.Naquela ocasião, o saudoso líder Eduardo Campos fez questão de mais uma vez frisar o compromisso com as transformações econômicas e sociais que o governo Lula havia proporcionado ao país, ressaltando todo o orgulho que ele tinha de ter feito parte daquela história. Eduardo apontava as imensas contradições na condução da gestão nacional, e antevia a chegada da crise econômica e política, denunciando as equivocadas decisões fiscais, mas principalmente ressaltando o perigo que era compartilhar tanto poder com o PMDB.

            Já em 2013, o sonho da militância socialista era apresentar uma nova forma de fazer política, para avançar ainda mais no debate das desigualdades sociais e regionais, com um pacto federativo para o país. As ideias da “nova política” foram defendidas de maneira cativante, firme e entusiasmada por Eduardo, até o último dia de vida. Por motivos lamentáveis e pueris, durante o período eleitoral, o PSB e sua militância sofreram campanha covarde de difamação, liderada pelo PT e seus (ex) aliados, mas também por setores do PSDB, impedindo que o país tivesse segundo turno entre duas mulheres de origem nas lutas populares.

          Passado mais de um ano do processo eleitoral, a direção nacional do PSB deixou de lado a proposta de construir uma alternativa de esquerda para o país e, em nome do pragmatismo e fisiologismo eleitoreiros que assolam os partidos atualmente, alimenta incessantemente uma campanha contrária à democracia e a legalidade, não só contra o (péssimo) governo democraticamente eleito, mas também contra o próprio legado do governo Lula, que sempre orgulhou a militância e sempre entusiasmou Eduardo.

            Hoje assistimos constrangidos à união de dirigentes do PSB com aqueles que sempre foram os nossos adversários. A insensatez é tanta que atentam contra a democracia, tentando tirar do poder a presidente, que não cometeu crime, para colocar algumas das figuras mais nocivas da sociedade brasileira – aqueles que sempre denunciamos. É justamente por isso que decidimos que não iremos nos calar!

         Somos totalmente contrários à proposta do PMDB e a forma como seus caciques conduzem a República, seu partido e seus parlamentares. O Projeto do PMDB não é um projeto que representa o nosso partido. Um partido que tenta chegar ao poder com eleições indiretas, aliado à mídia e todas as forças conservadoras do país, além de nunca ter sido legitimados pelas urnas, é totalmente avesso à democracia e liberdade proposto pelo PSB.

           Sejamos claros e honestos com o Brasil: no domingo os deputados não intentam votar o impeachment da presidente, mas aprovar uma rede de conchavos e acordos espúrios que visam a levar Michel Temer à Presidência da República. A agenda que Temer e seus asseclas defendem para o país é a de retirar direitos dos trabalhadores, promover o conservadorismo religioso, frear a política de redução das desigualdades sociais, ignorar o debate da soberania nacional – tudo patrocinado pela velha elite de empresários paulistas, que não se conforma com o crescimento econômico das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

           A agenda Temer é exatamente a que aprendemos a combater desde a nossa criação, com João Mangabeira e com as figuras de Antonio Cândido e Francisco Julião mobilizando as ligas camponesas. A nossa luta sempre será inspirada em figuras como Antonio Houaiss e Jamil Haddad. Desde que o também saudoso líder Miguel Arraes passou a dirigir o PSB, a nossa luta e a nossa formação passaram a ser ainda mais focadas nos valores da soberania nacional, e na defesa dos direitos da classe trabalhadora e dos mais carentes. Quem cerrou fileiras com esses grandes dirigentes jamais tolerará o atentado que o PSB tenta impingir à democracia e às nossas bandeiras históricas.

          Diante de tudo isso, a militância vem repudiar os deputados que estiveram em reunião com Michel Temer, assim como clamar para que os parlamentares do PSB VOTEM CONTRA o golpe que está sendo gestado no Congresso Nacional e no Palácio do Jaburu, e voltem suas energias a construírem uma alternativa de esquerda a esse projeto que hoje dirige o país.


Não vamos desistir do Brasil: Socialismo e liberdade!