sábado, 8 de julho de 2017

27ª FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS: O FESTIVAL QUE NOS LEVA A PENSAR

             


                O 27º Fig, a exemplo de outros anos, gera uma polemica que apenas desgasta e deixa um ar preocupante em torno de empresários e turistas. Mesmo com a grade do palco principal do Evento apresentar nomes como Geraldo Azevedo, Baby do Brasil, MPB4, Marina Lima, Fafá de Belém, Chico César, Mart’nália e Fernanda Abreu, Lucy Alves, Toni Garrido e Marina Lima, entre outros, diversos comentários negativos a programação vem sendo registrados nas redes sociais e em todos os recantos da cidade.

       Insensatos comentários como “os jovens nem conhecem esses artistas” ou “estão fora da mídia, ultrapassados...” "Culpa da briga entre prefeito e governo"... estampam perfis. É claro que somos livres para opinar, para sentir-se  contemplado ou não. Entretanto, muito bom relembrar que o festival de inverno não é medição de forças politicas de governos estadual e municipal, muito menos é o evento formatado pelo gosto pessoal de A ou B.

        O desrespeito com organizadores e atrações me envergonham. O FIG é muito mais do que isso. Temos palcos de cultura popular, pop e instrumental que não são apontados pelos que se dizem tão aptos a falar e exigir que venham reis de vaquejada ou ídolos passageiros.

          O 27 FIG trouxe de volta aos palcos pessoas que compartilharam a geração de Belchior, que era formada de jovens pensantes e reflexivos, muito diferente de artistas meteóricos que vemos.

– Apesar de não externar sua opinião quanto a qualidade da grade de programação apresentada para o evento deste ano, o Prefeito de Garanhuns, Izaías Régis (PTB) deixou claro, em entrevista veiculada na manhã de hoje, dia 8, no programa Ronda Policial, da Rádio Jornal Garanhuns, que não concorda com a atual formatação do principal evento realizado em Garanhuns.

           Segundo Régis,  “Chegou o momento da sociedade de Garanhuns, dos empresários e do Poder Público lutar para que o Festival de Inverno seja montado por nós”, pontuou o Prefeito, registrando que o evento não pode seguir sendo discutido e decidido na Secretaria Casa Civil, sem que Garanhuns seja sequer ouvido. “O problema todinho é que a gente (Garanhuns) não determina mais nada no Festival de Inverno”, chamou a atenção Régis, que garantiu tomar a frente de um movimento para que essa realidade possa mudar. Entretanto, é de extrema importância ressaltar que a bela cidade de Garanhuns não possui um Conselho de Cultura, que seria a principal instância gestora das políticas públicas de cultura de um município.
             
           Ainda relembrando que no último mandato do Sr. Izaias Régis, houve a  integração das Secretaria de Cultura  e Turismo, sendo a última a prioridade absoluta do seu governo... Em uma colocação na rede de relacionamento do jovem Pedro Teixeira, a qual nos motivou a escrita,  diz, com muita verdade e coerência:

          “Nos eventos realizados pela governo municipal, vemos propostas de curadoria artística totalmente equivocadas e desalinhadas, além dos evidentes apadrinhamentos por alguns artistas que não se faz necessário citar.

         Não me venha agora dizer que o FIG deve ser construído pelo povo, quando passou 7 anos no governo e nunca abriu espaço para isso, muito pelo contrário, sempre foi muito omisso e distante das demandas de cultura em Garanhuns.” O jovem, com apoio de outros entendidos, ainda continua suas citações: “O festival precisa sim ser repensado, ser melhor articulado, captar outros recursos e garantir orçamento em lei, mas não venha com esse falso discurso democrático.

         Se o governo deseja mesmo um diálogo mais próximo com a sociedade civil, que garanta os espaços e a participação legal da comunidade, que respeite a cadeia produtiva da cultura e seus respectivos trabalhadores, que gaste dinheiro com arte e cultura e reforme/construa equipamentos culturais para fomento das ações.

        Pra finalizar: o governo municipal não tem nem orçamento nem condições para desenvolver uma curadoria artística como a FUNDARPE faz.” Conclui.

         Ainda analisando e concordando com todo o exposto, acrescento que não existe possibilidades do evento ser municipalizado porque  a prefeitura não contaria com muitos dos empresários locais que não veem como adquirir mais lucro em tempos de crise. Também findaria igual aos eventos formatados, decerto, com muita categoria, mas que sempre ficariam a desejar...

           
E,  entre tantas opiniões, alegrias e decepções, continuamos sediando o maior festival plural da América Latina, este ano com sabor de bons tempos, de magia e de música com qualidade aliadas a beleza incomum de minha amada Garanhuns e a maior atração de todas as edições: seu povo hospitaleiro."

TOM ZÉ