segunda-feira, 24 de julho de 2017

DAVID DA SILVA ESPERA DECISÃO DA JUSTIÇA SOBRE CUSTEIO DE TRANSPLANTE NOS EUA



                     Mais um passo no caminho para o transplante de intestino do auditor júnior David Nilo da Silva, de 35 anos, foi dado. O pedido para que a União custeie o tratamento, que precisa ser feito nos Estados Unidos, foi ajuizado pela equipe de juristas que acompanha de perto o caso (a Defensoria Pública de Pernambuco e o advogado da família). A ação será julgada pela 12ª Vara da Justiça Federal e a expectativa é de que o pedido liminar possa ser acatado ainda nesta segunda-feira, considerando o sucesso no pedido anteriormente realizado, para outro paciente, em 2015.

                     David Nilo descobriu uma isquemia intestinal em 21 de junho deste ano e, em consequência do quadro, perdeu o intestino delgado e parte do grosso. Desde então, ele vive no hospital, se alimentando pela veia, enquanto espera juntar R$ 5 milhões de reais para pagar um transplante no Jackson Memorial Hospital, de Miami. Lá, a taxa de sucesso no tratamento é de 90%, enquanto aqui no Brasil todos as tentativas de transplantes semelhantes falharam. Essa é a base de sustentação para a esperança do auditor.

                  “Acreditamos numa antecipação do mérito, visto a urgência do caso. É um direito dele de ter a saúde reestabelecida. O estado brasileiro é obrigado a percorrer qualquer tipo de local em que o procedimento seja eficaz na medicina”, explicou o defensor-geral do estado, Manoel Jerônimo. “Juntamos tudo o que foi solicitado para a ação de Weverton (o outro pernambucano que conseguiu o tratamento pago pela União), em que ficou comprovada a ineficiência do transplante no Brasil. Inclusive documentos do Hospital das Clínicas e do Albert Einstein, em São Paulo”, acrescentou o advogado Felipe Moura.

               Também foram anexados documentos oficiais do Jackson Memorial.

            Além de dinheiro para custear o tratamento, David precisa de verba para levar a família a Miami. Ele deverá passar um total de dois anos nos Estados Unidos, desde a preparação até o acompanhamento para evitar a rejeição do órgão após o transplante, e precisará de suporte de terceiros. Por isso, lançou a campanha #todoscomdavid pelas redes sociais. Na última semana, o defensor-geral do estado buscou apoio junto ao governo, à procuradoria e à Secretaria de Saúde estaduais.

              “Como a ação é contra a união, vamos manter a linha de atuação. Mas queremos fazer com que o estado ajude na manutenção de David em Miami. Eles se comprometeram a nos dar uma resposta. Continuamos também a nossa campanha para angariar os recursos”, acrescentou Manoel Jerônimo.

Home care
             Além do transplante, David vem enfrentando outra dificuldade. Desde o último dia 3 deste mês, ele deu entrada num pedido de home care junto ao plano de saúde, mas até então não recebeu uma resposta definitiva. “Eles sempre pedem mais e mais relatórios aos médicos, mais detalhados. Estou triste porque fico nessa incerteza. A gente busca respostas, mas a única coisa que eles dizem é que está em análise. Isso está me atrasando ainda mais, vou ficando mais tempo aqui desnecessariamente”, disse David.

              Uma das dificuldades é a liberação do plano de saúde de um técnico de enfermagem para acompanhar a internação domiciliar de David. A defensoria e o advogado articulam a necessidade de um novo pedido liminar para viabilizar o home care. “O plano é obrigado a fornecer o tratamento de forma integral. Ele está em dia com os planos, cabe até um pedido de danos morais, pois é um sofrimento desnecessário. Gera estresse, temor”, acrescentou Manoel Jerônimo.Auditor júnior de 35 anos espera para hoje o posicionamento da Justiça Federal sobre o custeio de um transplante de intestino nos Estados Unidos.

Como ajudar

Banco do Brasil
Ag 0697-1
Poupança 67.615-2
Variação 51

Caixa econômica
Ag 2348
Poupança 2096-6
Operação 013

Bradesco
Ag 6327-4
Poupança  1000636-8

Favorecido David Nilo da Silva
CPF: 038.050.844-39

Entenda o caso

A isquemia intestinal ocorre quando o sangue deixa de chegar ao intestino

Quando esse fluxo é interrompido de forma aguda, o paciente só tem chances de sobreviver com a retirada completa do intestino

A isquemia intestinal pode acontecer por embolias arteriais, tromboses arteriais e venosas

São fatores de risco a idade, arritmias cardíacas, câncer, doenças cardíacas e aterosclerose

David apresentou uma resposta surpreendente diante da retirada do órgão, mas para voltar a se alimentar pela boca precisará do transplante visceral (intestinal) isolado

Se não for desta forma, ficará 24h por dia dependente de nutrição parenteral, sujeito a infecção e perda da função do fígado e de outros órgãos

Fonte: cirurgiã do aparelho digestivo Clarissa Guedes Noronha