quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

MORRE NELSON MANDELA O DEFENSOR DA HUMANIDADE E IGUALDADE SOCIAL

A luta do líder sul-africanoNelson Mandela, que morreu aos 95 anos nesta quinta-feira (5), não foi somente contra o movimento segregacionista da África do Sul, o apartheid, mas em defesa da humanidade e da igualdade, segundo disseram ao G1 militantes do movimento negro no Brasil.
“Ele foi o resumo da esperança e da resistência. Esperança de que é possível construir um mundo melhor e resistência para criar condições para que esse mundo se torne realidade”, disse o professor Dr. José Vicente, reitor da universidade Zumbi dos Palmares.
“A luta dele era em favor do negro, mas também em favor do branco. Na sua luta, ele queria um mundo bom para todos, para o negro e para o branco.”
Retrato de Nelson Mandela feito em 2009 (Foto: AP)Retrato de Nelson Mandela feito em 2009 (Foto: AP)
Para Valdemir Donizette Zamparoni, professor de história da África da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o legado de Mandela foi conseguir agir com equilíbrio mesmo depois de o regime de segregação racial ter caído, ao conter o ímpeto revanchista, que, muitas vezes, partia até de seus mais próximos companheiros.
“O que soa fantástico na trajetória do Mandela é que, primeiro, ele nunca negociou a sua própria segurança ou a sua própria liberdade senão dentro de um contexto político e, por fim, a grande capacidade que ele teve de fazer uma transição na África do Sul praticamente sem derramamento de sangue”, disse.
“Ele lutava contra o apartheid, contra a ‘racialização’ da sociedade, contra a raça como princípio organizador da sociedade, contra a exclusão com base na raça.” E completou: “O grande brilho que a figura política do Mandela representa foi ter encarado a política levando em conta o fator humano e ter o princípio de que todos são iguais.”
Para outros militantes do movimento negro no Brasil, Mandela, apesar de ter morrido, continuará a servir de exemplo de luta contra a desigualdade. “O fim do apartheid é um símbolo para o mundo inteiro e nos inspira aqui no Brasil a continuar lutando por uma sociedade mais justa, tendo em vista que nós vivemos um grande apartheid social”, afirmou Joselício Júnior, do Círculo Palmarino, corrente que atua em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Pará e Amapá.
“Nós ainda vivemos um apartheid social. Quem está na base da pirâmide social é a mulher negra, ocupando os piores postos de trabalho. Quem está morrendo, preferencialmente, são os jovens negros.” E completou: “De certa maneira, essa luta que aconteceu do outro lado do oceano nos inspirou em nossas lutas aqui no brasil”.
Para Silvio Almeida, do Instituto Luiz Gama, “Mandela simplesmente demonstrou que a luta dos negros contra o racismo não era uma luta só dos negros, mas era uma luta em prol de toda a humanidade”.
“Hoje, o mundo perde um de seus grandes líderes, um de seus grandes lutadores, um homem que nos ensinou como se faz a luta pelos direitos humanos, que nos ensinou que em cada recanto do mundo onde há uma pessoa oprimida, em cada canto onde tiver uma pessoa sofrendo, essa dor não é uma causa individual, mas coletiva. E cada ser humano para ser humano tem que lutar se prol desse injustiçado.”