sábado, 25 de outubro de 2014

CORRUPÇÃO NO CENTRO DO ÚLTIMO DEBATE; ENCONTRO DOS CANDIDATOS FOI INTENSO


O último debate presidencial foi a última oportunidade para os dois candidatos ao Planalto, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), apresentarem as propostas para os brasileiros. O formato do debate teve dois blocos destinados a questionamentos dos indecisos, que, segundo levantamentos recentes, representam cerca de 6% dos eleitorado, algo em torno de 7,2 milhões de eleitores.

Por ser o último encontro entre os dois, o debate na TV Globo foi tenso. Como era de se esperar, Aécio iniciou na ofensiva: “Essa campanha vai passar para a história como a mais sórdida do nosso sistema democrático”, lamentou Aécio. “Uma revista publica que um dos delatores do Petrolão disse que a senhora e Lula tinham conhecimento da corrupção na Petrobras. A senhora sabia?” indagou Aécio.

Dilma retrucou: “A revista Veja não apresenta provas do que diz. Manifesto aqui a minha inteira indignação. O povo não é bobo, sabe que a informação está sendo manipulada. Irei à Justiça para me defender”. Aécio acrescentou: “Não há um complô contra a senhora”, disse, citando denúncias de que o comitê petista no Rio de Janeiro teria panfletos apócrifos (sem assinatura) com ataques a ele e que, no Nordeste, carros de som divulgam que quem votar no PSDB perderá o direito ao programa Bolsa Família.

O assunto corrupção retornou ao debate na pergunta de uma eleitora indecisa, afirmando que as leis para punir os corruptos são brandas. “Por isso, propus cinco grandes medidas de combate à impunidade”, destacou a presidente. Aécio reconheceu que o sentimento da eleitora expressava a indignação de milhares de brasileiros. “Quando não há punição, a indignação é maior. Existe uma medida, acima de todas as outras, e que não depende de Congresso: vamos tirar o PT do poder”, arrematou.

Em seguida, o tema mudou, o tom, não. Dilma lembrou a criação de empregos e o aumento de renda durante os 12 anos de governo petista. E cutucou o indicado por Aécio para o Ministério da Fazenda, Armínio Fraga, que estava na plateia. “O senhor concorda com Armínio Fraga que o salário mínimo está muito alto?”, questionou a petista. “Eu confio no meu indicado, a senhora que não confia no seu ministro da Fazenda (Guido Mantega), porque o demitiu durante a campanha. A situação do Brasil é grave, candidata”.

Aécio ainda criticou o financiamento do BNDES para a construção, pela Odebrecht, do Porto de Mariel, em Cuba. “O seu governo optou por financiar a construção de um porto em Cuba, gastando R$ 2 bilhões do dinheiro brasileiro, enquanto os nossos portos estão aí, esperando.” Na resposta, Dilma frisou o fato de o financiamento ter sido concedido a uma empresa brasileira e de ter gerado empregos no Brasil.

Pouco depois, a presidente cometeu um deslize ao defender o Pronatec. Aécio lembrou que ele foi criado com base em iniciativas de gestões tucanas. A gafe de Dilma, no entanto, ocorreu ao responder a uma economista de 55 anos, que estava desempregada. “Seria interessante que você olhasse entre os vários cursos que têm sido oferecidos, inclusive pelo Senai, que são cursos para pessoas que têm a possibilidade de conseguir um salário e um emprego melhor se você não acha colocação.”

A petista tentou criticar o modelo de gestão tucana citando a falta de planejamento do governo paulista, que resultou em uma crise de abastecimento hídrico. “Vocês estão levando o estado a ter o programa meu banho, minha vida”. O tucano dividiu a responsabilidade com o governo federal. “O TCU acaba de acionar órgãos de seu governo, como a Agência Nacional de Águas. Técnicos foram substituídos por apadrinhados políticos.”

Da redação Sináculo
Fonte: Diário de Pernambuco
Imagem: Diário-PE