Quando olham uma garrafa PET, os alunos do curso de marcenaria da Escola Técnica Municipal de Garanhuns, no Agreste do estado, enxergam 35 metros de fios. Para esse grupo, seis garrafas são a soma ideal para construir uma cadeira de palha. Mas "palha" de garrafa PET, nem de vime nem de poliéster. Desfiado por uma máquina criada na própria escola, o material se junta a pedaços de madeira reaproveitada para dar vida à cadeira 100% ecológica. Genuinamente pernambucana, ela é a mais recente inovação da instituição de ensino que vem se consolidando como referência na criação e desenvolvimento de produtos reciclados. Os estudantes que passam por lá saem preparados para um mercado de trabalho mais moderno e sustentável.
Idealizado pelo instrutor Jorge Edvaldo Bezerra, o projeto surgiu durante as aulas em que ensinava a técnica tradicional de trançar a palha de vime. "A tradição de fazer a própria palhinha está se perdendo, mas pretendia ajudar a mantê-la. Por isso, pensei em inovar usando o PET", disse. Desfiar o plástico era fácil, pois os alunos da escola já tinham criado uma máquina com essa função a partir da sucata recebida pelos cursos de marcenaria e serralharia. Chamado de desfiadeira e semelhante a uma lapiseira, o equipamento era usado para criar vassouras de PET. Agora, era só regular a largura dos fios para que ficassem semelhantes às palhinhas e a cor varia de acordo com a garrafa utilizada, podendo ser verde ou incolor.
No primeiro teste, no ano passado, o grupo criou um banco com o material. Este ano, eles produziram uma cadeira em estilo colonial. "Senti que pude despertar o interesse do grupo e isso foi bom porque a própria profissão de marceneiro anda meio esquecida. Mas não vai faltar mercado para quem for um profissional diferenciado", ressaltou Jorge, comentando a inclusão do aspecto ecológico no currículo da turma de 20 alunos. Ele lembrou que, além de retirar o PET da posição de ameaça ao meio ambiente, a cadeira ecológica é mais resistente. "No lugarerrado, o PET é um vilão. Mas na cadeira é ótimo, ela pode ficar em ambientes de piscina, por exemplo, sem problemas", disse.
Lixo - O título de reciclada vale para toda a estrutura da cadeira ecológica, já que a base (assento e pernas) é feita com o reaproveitamento estrados de madeira (pallets), doados por empresas locais. Segundo o diretor de projetos da Escola Técnica, Paulo Tenório de Andrade, o histórico da instituição sempre esteve acompanhado de iniciativas criativas, como a churrasqueira criada com sucata e o aproveitamento de objetos que iriam para o lixo nas oficinas. "Nós estimulamos projetos em parceria entre marcenaria e serralharia, eles pensam o que podem oferecer e aprender com os outros. Isso fortalece a criatividade", disse.
Um dos projetos elaborados entre os dois cursos foi o banco ecológico (dos modelos de praça), que usa pallet e ferro. Outro exemplo de reaproveitamento está na própria desfiadeira, que é feita a partir de materiais retirados do computador. No momento, os alunos já produziram um banco e quatro cadeiras e os planos agora são partir para uma mesa. "Queremos um tampo de madeira que possa servir também como tabuleiro. Depois, vamos ver como fazemos para comercializar", destacou o instrutor, que continua repassando a lição de que tudo pode ter dois ou mais usos. (Júlia Kacowicz - Diário de Pernambuco – 15/9/2010).
Contatos: Ornilo Lundgren – secretário de Desenvolvimento Econômico – (87) 8836-9467.
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