segunda-feira, 13 de setembro de 2010

SERÁ QUE TAXI COR DE ROSA PEGA POR AQUI???


por Kelly de Souza |



Quando chegará ao Brasil? Já chegou à Cidade do México. A partir de setembro las mujeres mexicanas terão frota de “pink táxis”. Aliás, táxis especiais para mulheres já existem em Moscou, Londres, Dubai, Mumbai, Teerã, Barcelona, Cairo, etc. Na Holanda eles circulam desde 2007 em cidades como Tilburg, Haia, Enschede e, claro, Amsterdã. O serviço se distingue por oferecer uma ideia de mais proteção e segurança, notadamente à noite, além de mimos femininos como kit de make-up, entre outros. Agora é a vez da capital do México oferecer o serviço. Lá, no transporte público já existem áreas exclusivas para as ladys, como em outros locais no mundo. No Rio de Janeiro, por exemplo, uma lei garante vagões exclusivos para mulheres nos trens e no metrô durante os horários de pico.
Em Puebla, cidade mexicana com mais de 2 milhões de habitantes (área metropolitana), os táxis-cor-de-rosa já existem desde o ano passado, e são em geral dirigidos por mulheres, que contam com um botão de alarme ao alcance da mão. A área metropolitana da Cidade do México ocupa o 8º lugar nas cidades mais ricas do mundo (perto de 20 milhões de habitantes), mas passa por um de seus períodos mais violentos, turbinado pelo império do narcotráfico (perto de 90% da cocaína ofertada nos EUA chega através do México). Em 2009, foram registrados 1.300 casos de assédio sexual nos táxis da capital.
Claro que existem críticos contrários ao táxi cor-de-rosa. Alguns acham que é um serviço discriminatório, outros pensam que eles podem chamar mais atenção da bandidagem, e, portanto, deixam as mulheres mais vulneráveis, e outros ainda acham que é puro modismo. Por aí vai, mas uma coisa é certa, o serviço está crescendo no mundo todo. Em 2007, a taxa de homicídios femininos no Brasil foi de 3,9 para 100 mil mulheres, sendo a do México 2,4, da Argentina 1,6 e do Haiti 0,6 (Relatório Instituto Sangari – 2010). A julgar pelos dados, também devemos ter o pink-táxi em nossas cidades.
A realidade é que o assédio sexual no transporte público é uma realidade. Dificilmente uma mulher não tem uma história constrangedora para contar, como uma “encostada” de algum sujeito mais “animado”. Ou, ainda, ter sido “alvo” fácil de bandidos em carros ou táxis. Entretanto, inúmeras questões gravitam em torno desse simples serviço Pink. Além da questão da segurança, não estaríamos “retrocedendo” numa política separatista – com o argumento da mulher ser mais frágil – que faria Simone de Beauvoir se revirar no túmulo? Ou, o Pink táxi é só mais um serviço como outro qualquer que atende a uma demanda específica de mercado e, portanto, é somente uma questão de nicho?
Fica a discussão!

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