Em meio a texto sobre imigração, rapaz colocou uma detalhada receita de miojo. Conseguiu tirar mais de 50% da nota. Enquanto isso, redações com ”trousse” ganham avaliação máxima
Desde ontem, os critérios de correção das redações do Enem têm sido
questionados após o jornal O Globo convidar estudantes a mandar os
textos para o periódico com os devidos comprovantes de nota. No último
caso revelado hoje, um rapaz resolveu inovar para tornar seu texto mais
interessante: colocou uma receita de miojo em meio ao tema pedido, sobre
imigração no Brasil no século XXI.
“Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer um belo
miojo”, anuncia o rapaz no início do terceiro parágrafo (veja
reprodução), descrevendo a partir daí a famosa receita de três minutos.
Já no parágrafo seguinte, volta a tratar de como resolver a questão da imigração no país.
A brincadeira – ou qualquer outro nome que se queira dar ao episódio –
resultou em uma nota de 560, de um total de mil. Não há nota de corte
para a redação do Enem.
Ontem, o jornal o Globo mostrou ainda que tirar nota máxima no Enem não é
tarefa apenas para jovens prodígios da língua. Textos com “trousse”,
“enchergar” e “rasoavel” obtiveram o selo máximo entre os corretores.
Subjetividade
Dada a grande subjetividade da tarefa, a correção das redações do Enem,
aplicadas a milhões de estudantes, sempre foi motivo de embate entre
alunos e o Ministério da Educação, levando a pasta a rever procedimentos
inúmeras vezes.
São avaliadas pelos corretores do MEC cinco competências, com cada uma
delas valendo 200 pontos. Cada texto é lido por dois revisores.
Na redação em questão, o rapaz tirou 120 na segunda competência, segundo
O Globo. Isso significa, de acordo com os critérios do MEC, que o
“participante desenvolve de forma adequada o tema, mas apresenta uma
abordagem superficial”.
Em nota, o Ministério defendeu que o garoto "dissertou sobre o tema
sugerido" em 20 das 24 linhas da redação. E que houve sim penalização
nas competências 4 e 5, principalmente. O MEC afirma ainda que, embora
"inoportuna e inadequada", a inserção da receita não teve a intenção de
anular a redação, já que não foi ofensiva nem contra os direitos
humanos.
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