domingo, 2 de julho de 2017

FIG: PROGRAMAÇÃO VIRTUOSI TRAZ A GARANHUNS EDSON CORDEIRO

             

                 Garanhuns – Dentro da programação do Festival de Inverno de Garanhuns, o Virtuosi também marca presença com o Virtuosi na Serra nos dias 24, 27 e 28 de julho com apresentações na Igreja de Santo Antônio. 

         A programação se inicia segunda (24) às 16h com recital da pianista russa Kristina Miller e às 21h com o pianista Victor Asuncion. 

       No dia 27 às 16h será a vez do Grupo Instrumental Brasil e às 21h o duo Paula Bujes & Pedro Huff com o CD Afluências. 

                    O Virtuosi na Serra se despede da Cidade das Flores no dia 28 às 16h com a apresentação da Orquestra Jovem de Pernambuco junto do contratenor Edson Cordeiro.

PROGRAMAÇÃO VIRTUOSI – JULHO / 2017


XIII Virtuosi na Serra – Garanhuns – 24, 27 e 28 de Julho – Igreja de Santo Antônio

Aberto ao público

HÁ BANDEIRA..."O CÉU EXISTE ENTRE SETE COLINAS!" Por GIVALDO CALADO

Acordei todo moído... Penso que foi o uísque a mais que tomei, ontem, com os amigos e amigas. Todos e todas muito felizes. Como em uma lídima Confraria.

Para quem não sabe, eu não tenho o hábito da bebida. Um uisquinho a mais, derruba-me.

           Depois, amanhecera chovendo muito. E fazendo muito frio. Muito! Na cidade.



            Lá fora, passei o olho. A névoa tomara conta de tudo. Fechara o tempo. Não se via nada à distância de apenas, metros. Tudo cinzento. E muito bonito.

Pensei: essa a Garanhuns que faltava à cidade. A Garanhuns que se fora, há anos, mas que esse ano promete voltar. Quem sabe? A saudade apertara. E tomara que volte para ficar. Afinal, Garanhuns sem Garanhuns não é Garanhuns.


          E ainda estamos em meados de junho. Mas como será julho? Como?

           Nas ruas e nas avenidas da cidade, conferi, outro dia, homens e mulheres; moças e rapazes, daqui, felizes da vida pela volta da atmosfera do passado. Embora próximo. E, também, por que desentranharam de seus baús, as roupas grosas de lãs caras, conquanto finas de marcas, todos e todas no aguardo das épocas frias da cidade. Que precisa voltar a ser mais Garanhuns.



          Sim, para que todos possam “desembauzar” seus ricos casacos e vestimentas outras, que só têm serventia nessas épocas. No feliz neologismo de Wagner Marques, esse meu amigo - “desembauzar”. Tudo conferindo uma atmosfera europeia à cidade.



           Em fragmentos de "Brisa" do grande Manoel Bandeira. Que estava com a cabeça, pensando mais em Recife, João Pessoa, Natal... Maceió, Aracaju, Salvador... Ele sentencia, para mim, a destempo, por que do Recife não deveria ter saído:
"Vamos viver no Nordeste, Anarina./ No Nordeste faz calor também./ Mas lá tem brisa:/ Vamos viver de brisa, Anarina".
Brisa não basta, Bandeira. Ela vem quente ou morna, como queiram achar. Tem que ser frio. Aquele friozinho que você ia conferir, longe, lá pela Europa.


    Fossem outros os tempos, e estivesse você ainda conosco, estaria a convidá-lo a vir passar esse inverno de 2017 na Suíça Brasileira. Para vê-lo contente. Mais contente que nos seus tempos de Petrópolis. Sim, Petrópolis, e de sua vida, como você conta, consciente. E, por cima, aplaudindo Alan. Que dissera, a propósito, sobre o frio: “Só há uma maneira de resistir ao frio, é de ficar contente com ele”.


             Fossem outros os tempos, Bandeira, e estivesse você ainda conosco... Ah! Bandeira, Garanhuns estaria a te convidar a provar desse friozinho gostoso da terra onde o Nordeste garoa. E, você, Bandeira, dias, aqui, quem sabe não fizesse versos mais tocantes para os apaixonados desta cidade que os do poeta da nossa terrinha: "O céu existe entre Sete Colinas / Garanhuns é de lá".


sábado, 1 de julho de 2017

MULHER ASSASSINADA E ENTERRADA PELO COMPANHEIRO JÁ FOI IDENTIFICADA

               Ontem a população de Garanhuns ficou perplexa com a descoberta de uma ossada pertencente a uma mulher que foi encontrada enterrada no quintal de uma residência da Rua Batalha do Tuiti, em Garanhuns. Os restos mortais só foram localizados, e crime desvendado, porque o próprio assassino procurou espontaneamente à polícia na noite desta quinta, 29 de junho, e apontou o local onde havia enterrado o corpo. 

               
Com a comprovação da veracidade das informações passadas pelo acusado, identificado como sendo José Fábio de Almeida, 27 anos, policiais da 22ª Delegacia de Homicídios  priorizam agora agilizar a identificação da vítima. O que se já se sabe é que, tal como revelou o homicida, o nome da mulher é Maria Simone Amorim da Silva, que teria  idade atual de 32 anos. Familiares da mulher já foram encontrados em Angelim (pai), no bairro do Magano (prima) e Distrito de São Pedro e devem ajudar no processo de identificação. Com a localização dos parentes, o corpo deve seguir para o Recife para ser oficialmente identificado e reconhecido por alguém da família.

        Outra prioridade da Delegacia de Homicídios é localizar e prender o co-autor do feminicídio. Em seu depoimento na Delegacia Regional na noite de ontem, José Fábio apontou um homem de nome Márcio, mais conhecido como Cabeludo ou Negão, como tendo participado da execução e ocultação do cadáver de Maria Simone. Diligências foram feitas durante toda a manhã desta sexta-feira, 30 de junho, mas o suspeito ainda encontra-se foragido;

informações e foto V&C



SESC TEM SELEÇÃO SIMPLIFICADA PARA JOVEM APRENDIZ




O Sesc Pernambuco abre na próxima segunda-feira (3/7) seleção simplificada para Jovem Aprendiz no Recife e Região Metropolitana, no Agreste e Sertão. Serão oferecidas 68 vagas destinadas às atividades administrativas. Os interessados devem se inscrever gratuitamente até o dia 7 de julho, por meio do preenchimento de formulário no endereço eletrônico www.sescpe.org.br.

As oportunidades são para os turnos da manhã e tarde e a carga horária corresponde a quatro horas diárias. Há vagas para as unidades do Sesc no Recife (Santo Amaro, Santa Rita e Casa Amarela) e nas cidades de Jaboatão dos Guararapes (Piedade), São Lourenço da Mata, Goiana, Araripina, Arcoverde, Belo Jardim, Bodocó, Buíque, Caruaru, Garanhuns, Pesqueira, Petrolina, Surubim e Triunfo.

O programa tem duração de um ano e oferece remuneração de R$ 426,00, vale transporte, de acordo com a legislação vigente, além de fardamento para atuação. O edital público simplificado da seleção considera os aspectos legais e outros requisitos, como a situação socioeconômica, educacional e de vulnerabilidade social dos candidatos.

Para concorrer, o interessado precisa, dentre outros requisitos, ter entre 14 e 24 anos incompletos no ato da contratação – este requisito de idade máxima não se aplica à pessoa com deficiência –, cursar do 7º ano em diante do Ensino Fundamental ou, no máximo, ter concluído o Ensino Médio, sem ingresso no Ensino Superior. Não serão validadas as inscrições de participantes com experiência registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) ou anteriormente vinculados ao Sesc PE, por meio do programa Jovem Aprendiz ou contrato empregatício.

O programa Jovem Aprendiz é um projeto do Governo Federal que foi criado a partir da Lei de Aprendizagem (Lei nº 10.097/00), que visa à capacitação profissional de adolescentes e jovens em todo o País.

Serviço:
Seleção Jovem Aprendiz do Sesc
Inscrições gratuitas pelo site: www.sescpe.org.br

Período: de 3 a 7 de julho

PROMOTOR DEFENDE QUE CLASSIFICADOS NO CONCURSO DA GUARDA MUNICIPAL POSSAM SER SUBMETIDOS A CURSO DE FORMAÇÃO

            


            A repercussão gerada com a não convocação de candidatos classificados no último concurso para Guarda Municipal realizado pela Prefeitura de Garanhuns foi uma das notícias mais frequente nos meios sociais. Entretanto, a convocação abordada pelo Promotor Domingos Sávio, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns, abordada durante entrevista a Rádio Jornal Garanhuns na manhã de ontem, sexta, 30, defende o contrário. E haja celeuma desde que um grupo de 49 candidatos acionou o Ministério Público e ingressou na Justiça pleiteando sua participação no Curso de Formação e, consequente, convocação para exercer a função.

          De acordo com o representante do Ministério Público, não há qualquer impedimento ao aproveitamento dos que foram aprovados e classificados no Concurso. No entendimento do Promotor, embora não tenham sido chamados para o Curso de Formação, os 49 candidatos que buscam na Justiça o suposto direito, não foram eliminados do Concurso e podem ser convocados para prestar a última etapa do Certame. Ainda segundo o Dr. Domingos Sávio, com a medida, o Município passaria a cumprir a Lei Federal nº 3022/2014, que prevê quantidades máximas e mínimas de integrantes da Guarda Municipal a depender da população. Pela Lei, segundo o Promotor, Garanhuns deveria ter no mínimo 200 Guardas Municipais, todavia, possui, atualmente, 159 profissionais em seu quadro funcional.

     Em decisão publicada no último dia 21 de junho, oTribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decidiu suspender uma liminar concedida pelo juiz Glacidelson Antônio, titular da Vara da Fazenda Pública de Garanhuns, que proferiu, no mês passado, uma decisão em favor dos 49 candidatos ao cargo de Guarda Municipal para participação no curso de formação.

        O pedido ao TJPE foi feito pela Procuradora Municipal, que alegou inconformidade com as informações previstas em edital e dano econômico ao Município. “Além desse equívoco de interpretação do edital, que explicava etapa por etapa e seu limite no número de Guardas aptos, a decisão também causaria diretamente um impacto financeiro imprevisto aos cofres públicos, visto que seria necessário planejamento e execução do referido treinamento”, registrou a Prefeitura, em trecho de material enviado a Imprensa pelo setor de Comunicação Social.


        Apesar dos acenos de entendimento por parte do Ministério Público, para a Prefeitura, segundo Ofício remetido ao MP, a questão está judicializada e será aguardada uma posição da Justiça quanto ao assunto.

NOELIA BRITO JÁ HAVIA ANTECIPADO E OPERAÇÃO TURBULÊNCIA APONTA ENVOLVIDOS

         
 A procuradora e blogueira Noelia Brito volta a denuncia o PSB de Pernambuco, com publicação de postagem envolvendo o recebimento de propinas e lavagem de dinheiro na campanha política de 2014. Em um texto publicado em seu blog ontem, ela escreve:


          "Matéria publicada pelo BuzzFeed, do repórter Filipe Coutinho revela que os empresários apontados como encarregados de realizar o recebimento e a "lavagem" dos recursos oriundos de propinas recebidas de empreiteiras por obras públicas da Operação Turbulência, já fizeram suas delações premiadas, como, aliás, já havíamos antecipado aqui mesmo em nosso Blog.

          Segundo a matéria do BuzzFeed, as primeiras informações sobre o conteúdo das delações, que promete ser bombástico e atingir mais de 80 políticos, só do Estado de Pernambuco, um dos principais operadores do esquema de lavagem de propinas a políticos a agentes públicos no Nordeste, o empresário João Carlos Lyra, que fez delação após ser alvo das operações Lava Jato e Turbulência,  contou em sua delação que pagou R$ 2 milhões de propina para o então senador Vital do Rêgo, atual ministro do Tribunal de Contas da União.

           Os pagamentos das propinas destinadas a Vital do Rego teriam ocorrido durante as eleições de 2014, nas quais foi candidato derrotado ao governo da Paraíba e teriam sido recebidas por Alex Azevedo, secretário de Campina Grande, quando o irmão de Vital do Rego era prefeito. A propina, que foi paga pela OAS, da qual Lyra se confessou uma espécie de "caixa paralelo", em troca de benefícios na CPI da Petrobras, teve a primeira entrega feita no restaurante "O Rei das Coxinhas", situado na BR-101, entre Goiana, Pernambuco e João Pessoa, na Paraíba. O restante do da propina foi paga na beira da estrada em Bezerros (PE), num aeroclube e num restaurante dentro de um shopping, no Recife.

         As delações dos indiciados da Operação Turbulência foi feita ainda no início do ano, na Procuradoria da República , no Recife.

            As delações dos indiciados da Operação Turbulência foi feita ainda no início do ano, na Procuradoria da República , no Recife.

             João Carlos Lyra é investigado, juntamente com o senador Fernando Bezerra Coelho, do PSB e com o empresário Aldo Guedes, no Inquérito 4005, que tramita no Supremo Tribunal Federal, por corrupção e lavagem de dinheiro e foram apontados nas delações da Odebrecht como principais beneficiários do recebimento de propina na obras contratadas com a construtora no Estado de Pernambuco, juntamente com o já falecido governador Eduardo Campos."


SESSENTA ANOS DO ATENTADO A DOM EXPEDITO LOPES

           


 Dom Francisco Expedito Lopes (Sobral8 de julho de 1914 — Garanhuns2 de julho de 1957) foi um bispo católico brasileiro. Nasceu no Sítio Jerusalém (Vila de Meruoca) em Sobral, no estado do Ceará. Foi ordenado sacerdote em Roma em 1938, sagrado bispo em Sobral em 1948, sendo eleito primeiro bispo em Oeiras, no estado do Piauí. Em 1955 foi empossado como quinto bispo de Garanhuns no estado de Pernambuco. Fundou o Instituto das Missionárias de Nossa Senhora de Fátima do Brasil.

       Foi vítima de um atentado a tiros cometido pelo padre Hosana de Siqueira e Silva, em Garanhuns, em 1 de julho de 1957, e veio a falecer no dia seguinte. Seu lema era "Restaurar tudo em Cristo". Considerado um santo pela população, Dom Acácio Rodrigues Alves tornou-se o postulador de sua beatificação na Diocese de Garanhuns.
(wikipédia)



             Aquilo nunca tinha acontecido no Brasil, pelo menos, ninguém tinha conhecimento de coisa tão assombrosa, tão fora de propósito; por isso, foi com espanto e estupefação que, no dia dois de julho de 1957, os brasileiros tiveram as primeiras notícias sobre o assassinato do bispo da cidade de Garanhuns, Dom Francisco Expedito Lopes (1914 - 1957), notícias essas que, com o correr dos dias, se tornaram um escândalo nacional e internacional devido ao inusitado do fato. Mais estupefactos todos ficaram quando a identidade do assassino logo foi divulgada: tratava-se de um padre; seu nome, Hosaná de Siqueira e Silva, pároco da cidade de Quipapá, pertencente à diocese daquela cidade.

                  Depois se soube que a rixa entre o prelado e o sacerdote já vinha de algum tempo. Tudo relacionado a um suposto romance proibido mantido por padre Hosaná com uma sua prima (ou sobrinha, conforme alguns relatos), Maria José Martins, que, inclusive, morava na casa paroquial. Todos em Q
uipapá sabiam do relacionamento dos dois, mas, como sempre acontecia em cidades do interior do país, a união era vista quase como normal, apesar de tudo sercomentado à boca pequena, já que o padre era conhecido por seu temperamento forte e desabrido. Padre Hosaná também era mal visto pela população devido ao fato de que, além de sua “vida pecaminosa”, tornara-se relapso com relação aos seus deveres eclesiásticos, deixando de rezar as missas na igreja de sua paróquia e nas capelas dos distritos vizinhos e preocupando-se mais com uma fazenda que possuía em um município próximo que com seu rebanho. Isso estava se tornando insuportável para os católicos da cidade, ou seja, praticamente toda a população.

                Obviamente, quando o romance ficou mais escancarado, o bispo logo foi
avisado. Chamado às falas, padre Hosaná negou o romance com a prima, dizendo-se vítima de "boatos de pessoas que querem me afastar da paróquia". Inflexível, o bispo exigiu o afastamento da moça, então já grávida, segundo os paroquianos da cidade, ameaçando suspender o sacerdote de suas funções religiosas.Acossado, Hosaná teve que se curvar á disposição de seu superior e transferiu a prima para outra localidade, não obstante continuar a negar a veracidade do fato.

                Acontece que não demorou muito e a cidade foi invadida por novos boatos: o padre teria instalado uma substituta na casa paroquial – uma garota de nome Quitéria –, mais jovem e mais bonita do que a suposta prima anterior; a notícia se espalhou como um rastilho de pólvora, não demorando a chegar aos ouvidos de Dom Francisco, que, imediatamente, convocou seu subordinado para uma conversa franca e definitiva.

             O bispo foi curto e grosso: disse ao padre que seu comportamento pecaminoso que escandalizava a cidade estava comprometendo o nome da igreja, não lhe deixando outra alternativa; além do mais, deu-lhe o prazo de quinze dias para que ele afastasse da casa paroquial a mulher que lá vivia, a tal de Quitéria. O padre não obedeceu. E no dia primeiro de julho de 57, em que seria publicado o ato episcopal suspendendo suas ordens sacerdotais, Hosaná, armado com um revólver Taurus, calibre 32, primeiramente se dirige à Rádio Difusora de Garanhuns, onde pretendia se defender das acusações do bispo que ele considera injustas. Entretanto, o pessoal da emissora, barra suas pretensões e se negam a lhe conceder seu direito de defesa. De caráter violento, sai transtornado do local e se dirige ao palácio Episcopal em Garanhuns para, mais uma vez, discutir com o bispo o que ele chamava de “perseguição” contra ele, alimentada, segundo ele e alguns amigos, pelas intrigas do sacristão Luís Gonzaga de Oliveira, carola de carteirinha.


                 A porta do palácio foi aberta pelo próprio bispo Dom Francisco Expedito Lopes. Aqui as versões se confundem; segundo alguns, assim que abre a porta, Dom Francisco Expedito foi fulminado pelos disparos, não esboçando nenhuma reação. Outros relatos dizem que, aberta a porta, os dois sacerdotes iniciaram uma discussão em altos brados. Quando o bate-boca estava no auge, o padre nem pestaneja, dispara três tiros à queima-roupa no bispo, foge d
o local e se entrega aos religiosos do Mosteiro de São Bento. O fato é que, tão logo foi baleado, Dom Expedito é levado às pressas para o hospital, mas não resiste aos ferimentos, morrendo na madrugada do dia seguinte. O caso, como não poderia deixar de ser abala Pernambuco, ganha manchetes de jornais em todo o Brasil, com repercussão até no exterior. Afinal de contas, depois se soube, esse tipo de assassinato nunca havia acontecido no país, havendo somente dois precedentes no mundo inteiro em dois séculos, um em Paris, em 1857, quando um padre de nome Louis Verge matou a punhaladas, na igreja de Santa Madalena o arcebispo Dom August Sibour, e um segundo acontecido na capital da Espanha, Madrid, em 1886, quando o abade Galleote Costela assassina a tiros o bispo de Madrid, Dom Martinez Izquierdo.



           O padre assassino logo foi capturado pela Polícia e transferido para a casa de detenção de Recife. Nãodemorou e padre Hosaná recebeu a penalidade máxima de sua igreja: foi excomungado pela alta cúpula do catolicismo.

            Enquanto isso, a história do assassinato do bispo ganhava a boca do povo e virava tema de reportagens, livros e até de folhetos de cordel. O primeiro cordel sobre o assunto, de autoria de um certo José Soares, com o título A Morte do Bispo de Garanhuns, foi publicado já aos cinco de julho do mesmo ano, no jornal Diário da Noite de Recife, ganhando após as ruas e as feiras, sendo vendido então, a preço de capa, por quatro cruzeiros. Merece ser transcrito pelo que representa do espírito da época. A transcrição é literal:


“Garanhuns está de luto:
numa bisonha manhã
foi morto dom Expedito,
um bispo de alma sã,
pelo revólver dum padre
partidário de Satã.

Um padre matar um bispo
quase não tem fundamento;
maculou com sua fúria
dos dez, este mandamento:
‘Não Matarás’, disse Deus
no sagrado sacramento.


Quantas vezes esse padre

lá no púlpito a pregar
repetiu nos seus sermões
que Deus não manda matar,
quando ele próprio faz
su’alma se condenar.


É lamentável leitores

mas tudo se comprovou
e desse drama de ontem
que a todo o mundo abalou
vou contar em poucas linhas
como tudo se passou.


O padre Hozana Siqueira,

vigário de Quipapá
não cumpria pela regra
a lei de Deus Geová,
ligando pouco os deveres
de ministro de Alá.


Porque ele, sendo padre

estava no seu critério
defender e pugnar
pelo santo presbitério,
combater e condenar
qualquer ato deletério.


Mas o padre assim não fez

e fugindo da rotina
seguindo outro endereço
fora da casa divina
desrespeitando sem medo
a lei da santa doutrina.


Seus atos precipitados

lhe tiram toda razão
prova que ele abraçara
os atos do Deus pagão
repudiando sem asco
a cristã religião.


Se ele não tinha fibra

pra ser ministro de Cristo,
renunciasse à igreja;
hoje estava fora disso:
talvez não fosse assassino,
odiado e mal visto.


Pois bem, esse dito padre

coração de caifaz
achou que tudo fazia
e depois saísse em paz,
dando uma vela a Deus
e outra pra Satanaz.


Foi quando dom Expedito,

o bispo de Garanhuns,
sabendo daqueles fatos
por rumores e zunzuns
resolveu tirar o padre
dos seus atos incumuns.


Fez ciente ao padre Hozana

que este fazia jus
à condenação de Deus
por ser um padre sem luz
ficando o mesmo suspenso
da igreja de Jesus.


O bispo fez o ofício

confiado em Geová
e mandou ao padre Hozana,
vigário de Quipapá,
pra esse ficar suspenso
de fazer sermões por lá.


O padre Hozana ficou

bastante contrariado;
consigo mesmo dizia
‘o bispo está enganado;
eu sou padre na igreja
mas fora sou um danado’.


De rato este padre Hozana

tinha vida dezabrida;
de púlpito da matriz,
a sua doce guarida,
ele espancava a pessoa
que falasse de sua vida.


Descompunha os infelizes

que iam lá na matriz;
espancava até menores
com sua fúria infeliz;
dentro lá de Quipapá
sempre fez o que bem quis.


Então esse dito padre,

ao par da intimação,
disse que dom Expedito
iria pedir perdão
a ele, por ordenar
logo sua suspensão.


Com o revólver na cinta

e no coração o mal,
o padre Hozana seguiu
pra difusora local
tentando manchar o bispo,
nessa hora seu rival.


Chegando na difusora

lá não foi bem recebido;
pra usar o microfone
ele não foi atendido;
então saiu furioso
já bastante decidido.


Chegando na diocese,

quando a porta se abriu,
o bispo Expedito Lopes
na sua frente surgiu;
o padre como um demônio
contra a vítima investiu.


Sacando de seu revólver

nessa triste ocasião,
três estampidos soaram
foi tremenda a explosão,
e logo dom Expedito
ferido tombou no chão.


O primeiro que ouviu

dos estampidos a zuada,
soldado José Cordeiro,
que, não sabendo de nada,
foi entrando no palácio:
ali cismou da parada.


Pois, o padre vinha louco

correndo desembalado,
entrando logo num jeep
ali estacionado,
saindo em velocidade
com destino ignorado.


O soldado então entrou

no palácio episcopal;
seus olhos se depararam
com um quadro sepulcral:
dom Expedito jazia
em sangue ali no local.


Dom Expedito gemia

se contorcendo de dores;
ele, sendo tão pacato,
nunca pensou em horrores;
estava em leito de espinhos
quem tanto cuidou de flores.


Foi levado ao hospital

dali a dado momento
pois a notícia espalhou-se
do triste acontecimento,
e no Hospital Dom Moura
parou o seu sofrimento.


Pois, não suportando as dores

sua vida foi passada
às duas horas e quinze
de uma triste madrugada,
deixando o povo tão triste
e a cidade enlutada.


O mundo é um vale de lágrimas

a morte temos por certo;
nossa vida é por enquanto,
nosso túmulo vive aberto;
contente o bispo vivia
porque ainda não sabia
que a morte estava tão perto.


Terminarei, caros leitores,

nada mais tenho a dizer;
o triste acontecimento
estou disposto a vender;
de um jornal escrevi
porque lá não assisti:
melhor não pude fazer.”

      O julgamento, acontecido dois anos depois (20.02.1959), como não poderia deixar de ser, tornou-se um espetáculo, com repórteres de todo o país e até do exterior. Padre Hosaná nunca confirmou os boatos da ligação com a prima, continuando a defender sua tese de perseguição por parte do bispado. Segundo ele,

        “o fato histórico em si eu aceito. A maneira como é contada é inverídica e caluniosa à minha pessoa. Inteiramente falsa”.

           A igreja católica, no entanto, utilizou-se de toda a sua força para que padre Hosaná fosse castigado com toda a rigidez da lei. Falava-se na mais alta pena permitida pela justiça. E qual não foi a surpresa geral quando saiu a sentença: contrariamente do que propagava a imprensa, sob aplausos, padre Hosaná foi condenado a apenas dois anos e seis meses de prisão, e mais dois anos numa clínica psiquiátrica.

          A revista O Cruzeiro, em reportagem sobre o julgamento (14.03.1959), sob o título “Prevaleceu a tese da legítima defesa”, assim concluiu sua matéria:

           “Depois de ouvida a sentença, o Padre Hosanná, sorrindo, fez acenos para os que tinham aplaudido a decisão do Tribunal. Foi a ocasião de ser cercado por uma equipe de fotógrafos e radialistas. Depois, então, veio a parte familiar. Estavam presentes na sala do júri quatro dos oito irmãos de Hosanná (...) Por um instante, apenas eles deixaram o recinto durante as 13 horas do julgamento. Acompanharam todos os lances da acusação e da defesa com o maior interesse. Após abraços seu irmão, o Sr. Edu Siqueira foi cumprimentar o criminalista (da acusação), Dr. Antônio de Brito Alves, pelo seu brilhante trabalho na tribuna. Estava o Sr. Edu satisfeito com o resultado do ‘affaire’. Enquanto isso, a acusação vai solicitar novo julgamento.

             Mais tarde, daria o Padre Hosanná de Siqueira, na Casa de Detenção, uma entrevista das mais curiosas. Estava ele entre detentos que se regozijavam pela sua vitória (parcial) perante a justiça dos homens. Mostrando um sorriso amável, disse Hosanná: Esta batina não me sairá do corpo. Por ele lutarei com todas as minhas forças. Partirei agora para conseguir a minha reintegração dentro da igreja. Adiantou que vai lançar um livro que recebe neste momento os últimos retoques.

            Não guardo rancores de ninguém – declarou –, não olhei para ninguém com cinismo, como declarou a acusação. Procurava ver apenas os meus acusadores. Se ri, algumas vezes, foi do tamanho da mentira, tanta calúnia contra mim.

            Terminando sua entrevista, acentua o Padre Hosanná de Siqueira:


              Olhando o Cristo que se acha entronizado no Palácio da Justiça, coloquei a seus pés meu coração agradecido.”

            A maior derrotada no julgamento foi, certamente, a igreja católica, que se sentiu injuriada com pena tão suave. Na mesma hora, os advogados de acusação e a promotoria recorreram da sentença, fazendo com que o julgamento fosse anulado. O segundo julgamento foi ainda mais confuso, fazendo com que, também, fosse anulado. Finalmente, no terceiro, acontecido em cinco de setembro de 1963, padre Hosana é finalmente condenado a uma pena considerada justa pela igreja e pela sociedade: 19 anos de cadeia. Cumpriu a pena até 05 de setembro de 1968, quando ganhou liberdade condicional.


            O epílogo dessa história foi, como sói, exemplar: recolhido em sua fazenda, a 09 km da cidade de Correntes, onde nasceu, o padre Hosana passou a viver da agricultura. Ali, no dia 07/11/1997, aos 84 anos, ele foi assassinado a golpes de madeira na cabeça. O caso de seu assassinato logo se transformou em um quebra-cabeçamisterioso para a polícia. Após as primeiras investigações, foram indiciados como autores do crime Cícero Barbosa da Silva e Evalda Maria Peixoto da Silva, um casal de humildes agricultores, residentes nas proximidades da fazenda do ex-padre Hosaná. Entretanto, desde o início das investigações, a promotora de Correntes, Ana Jaqueline Barbosa Lopes, desconfiou de que o casal não fosse realmente os assassinos. E tudo voltou à estaca zero.

               Passados os anos, até hoje não se sabe quem matou padre Hosaná. E o bispo Expedito? Após um processo canônico de anos, noticiou-se, em 2005, que ele estaria na iminência de virar santo da igreja católica, muitos dizendo que ele seria o primeiro brasileiro a alcançar tal honraria. Mas, assim como veio, a notícia desapareceu dos noticiários.


GARANHUNS REGISTRA MAIS UMA TRAGÉDIA: MULHER COMETE SUICÍDIO

              

              Na tarde de ontem (30.06.17), a Central de Operações do 9º BPM – Garanhuns, recebeu informações de que uma mulher havia cometido suicídio dentro da residência onde morava, na Rua Humberto de Melo Granja (proximidades do Colégio dom João da Mata) – Bairro Boa Vista – Garanhuns.

           De imediato uma guarnição foi enviada ao local, onde foi constatado a veracidade da informação.

         Utilizando um cinto a vitima EDILENE FÁTIMA DE OLIVEIRA, 50 anos, que residia no local enforcou-se no banheiro de casa.

             O corpo da vitima foi encontrado pela mãe e pelo irmão, os quais residiam junto com a vitima. Os mesmos relataram que Edilene, vinha apresentando um quadro depressivo, que estava realizando tratamento e acompanhamento médico.
A vitima deixou uma carta, que foi entregue a polícia pelos familiares.

        A Policia Civil, foi acionada, compareceu ao local, e após realizar levantamento cadavérico o corpo foi encaminhado ao IML de Caruaru.